Ambiente, câmara, info. Confusos? Também eu...
Estava eu a ler o Imediato desta semana quando deparo com o seguinte artigo:
" Os níveis de concentração de ozono (03) no ar em Paços de Ferreira na última quarta-feira foram os mais altos registados no país, ficando 25% acima da quantidade máxima indicada. A permanência desse tipo de situação pode provocar lesões ao aparelho respiratório.
Entre os problemas mais comuns associados a níveis de ozono acima do normal estão dificuldades respiratórias, toses, dores no peito, pieira, dor no peito ao se respirar fundo, irritação nos olhos e no nariz.
O gás é um dos cinco poluentes atmosféricos utilizados pelo Instituto do Ambiente para medir a qualidade do ar
De acordo com informações presentes na página do Instituto do Ambiente na Internet, relativa à qualidade do ar (www.qualar.org), a estação instalada no Centro de Lacticínios registou, por média horária, 225 microgramas do gás por metro cúbico de ar. O limite aceitável, segundo informações disponíveis na página é de 180 microgramas por metro cúbico.
Além de Paços de Ferreira, outros dez municípios portugueses registaram médias de ozono acima do indicado, seis deles localizados no Distrito do Porto (Santo Tirso, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto e Valongo). A medição da qualidade do ar no país é feita por 73 estações, espalhadas por todo o território nacional. No Vale do Sousa, existem estações instaladas em Paredes, e em Paços de Ferreira, no Centro de Lacticínios, instalado dentro do Parque Urbano.
De acordo com o médico José Bastos, a alta concentração do gás não pode ser interpretada como uma consequência directa da poluição do ar. Além disso, segundo o médico, também é uma situação temporária, que desaparece com a ocorrência de ventos e chuvas. “Uma das formas mais eficazes de se lidar com o problema é fechar a casa durante o dia e arejá-la durante a noite. Não se pode fazer mais nada”, disse."
A situação deixou-me preocupado por dois motivos bem distintos e que descreverei mais à frente. Mas primeiro queria só contradizer o médico José Bastos que diz que a concentração do gás não pode ser interpretada como uma consequência directa da poluição do ar. Pode sim senhor, e deve ser, até! Eis o porquê:
Ninguém “fabrica” Ozono… o ozono é resultado de uma combinação de factores dos quais são indissociáveis os seguintes ingredientes:
-Compostos orgânicos voláteis
-Óxido de Nitrogénio
-Dióxido de Nitrogénio
Vejamos agora as seguintes ilustrações que nos indicam a proveniência destes dois gases.


(fonte SolComHouse)
Se isto não associa directamente a presença de ozono prejudicial à poluição ambiental, não sei o que o fará…
Agora basta misturar os ingredientes, esperar por uns dias bem quentinhos, com raios solares bem fortes (curiosamente ou não até estamos a chegar ao verão…), et voilá, Ozono!
Além disso, o facto de o doutor José Bastos dizer que se trata de uma situação temporária e que se resolve com ventos e chuvas é preocupante. Deveras preocupante. Tapar o sol com uma peneira nunca foi uma solução viável, especialmente se o sol queimar muito, doutor… É certo que dias ventosos ajudam a dispersar este tipo de poluição, diminuindo a sua concentração mas não o seu valor absoluto. É certo que após o entardecer os raios solares não são suficientemente energéticos para despoletar as reacções necessárias à criação de mais moléculas de Ozono, mas se no dia seguinte, logo pela manhã as nossas indústrias continuarem a enviar para a camada inferior da atmosfera os mesmos gases, se continuarmos a usar os mesmo aerossóis, então certamente terei de concordar com o doutor J. Bastos… nada mais poderemos fazer.
E é aqui que entra em cena a câmara municipal. Curioso por natureza tentei perceber em que medida a câmara pode combater os níveis de poluição ambiental dentro do concelho. Certamente que o ministério do Ambiente terá um papel enorme a desempenhar nesta situação, mas suponho que caberá a um gabinete específico da câmara saber adoptar as medidas impostas pelo ministério, bem como assegurar o funcionamento destas. E eis que tento então encontrar a página da câmara na Internet de forma a aceder à documentação disponível online ou pelo menos para encontrar um contacto que me desse a possibilidade de me inteirar do desempenho e funções camarárias no assunto...
E este é o segundo ponto que me deixou preocupado (caso tenha passado despercebido, o primeiro é a letargia que se apossa das pessoas, ao ponto de dizerem a um jornal que “não se pode fazer mais nada “ em relação à poluição ambiental senão esperar que ela “passe”…).
A Câmara de Paços não tem um site próprio. Aliás, não tem um site. A coisa que mais a isso se assemelha é dada a visitar em http://www.valsousa.pt/pferreira/ . “Em actualização” pode-se encontrar lá. Segundo já apurei, é uma actualização demorada. Daquelas que leva a que as pessoas já nem se lembrem de quando é que a página esteve funcional. A única coisa que lá está disponível são uma série de formulários para download e impressão. Contactos? Não. Informações úteis? Não. Horários de funcionamento dos vários serviços camarários? Hmmm…. Não!
Agora visitem isto: http://www.cm-maia.pt/
Têm 2 segundos para descobrir 13573541435 diferenças. É fácil, não é?
É preocupante, de facto, que me tenha de dirigir ao edifício camarário para tirar qualquer dúvida relacionada com o funcionamento desta ou dos seus serviços.
Mas também, gastaram tanto dinheiro no edifício que até é um pecado não o visitar… é isso… deve ser essa a intenção. Ou não.


